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"Disseram-me: verás quando tiveres cinqüenta anos. Tenho cinqüenta anos: não vi nada". Erik Satie
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30.10.07
Melosa
Acordei, quer dizer, quase nao acordei, arrasada, chateada, gripada, tossindo sem parar, me sentindo uó. TPM. Nunca tive isso na vida, agora me aparece essa frescura! A essa altura do championship. O caso é que nao sei identificar essa tristeza, esse desespero, essa vontade de morrer como sendo TPM. Levo a sério e fico pensando: Poxa, estava tudo tão lindo, tão perfeito, como foi que dei esse mole?
Aí cheguei da praia, da pedalada, do hortifruti e resolvi assumir minha deprê. Foda-se, pensei, vou sentar naquele canto da sala, no chão, pra ficar bem assim, largada como elas ficam nos filmes, com uma meia branca e um pullover bem fofinho. Poxa, tá mó calor aqui. Ok, sem meia e sem pullover. De calcinha e sutiã. A deprê é tropical. E vou colocar uma música muito triste e melosa que eu amo e pronto. Aí fucei, fucei e botei o CD da Oletta Adams, que em outras vidas eu gostava. Fui logo pra faixa favorita: Get Here: You can reach me by airplane, you can reach me by sail boat, I don't care how you get here. Just get here!
Comecei a chorar, copiosamente, com pena de mim, com pena do mundo, com saudades de um amor que nao tenho há muitos anos e tal. Aí mudou a faixa. Po, o disco é chato pra caralho.
Tirei correndo, botei roupa na máquina e retoquei as raízes. TPM, sim. Mas essa chatice ninguém é capaz de aguentar. Aí meu telefone tocou. Surpresa. Muita surpresa. Agora vou dar uma saidinha. Estou linda, cheirosa.
Pode vir quente que eu estou fervendo!
8:52 PM
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Vamupulá... vamupulá, vamupulá, vamupulá
As we wade through the waters of the month of Scorpio, remember not to block anything that comes your way. If you embrace your challenges with open arms, you'll see those challenges will just slip right through.
Enquanto avançamos pelas águas do mês de escorpião, lembre-se de não bloquear nada do que vem em sua direção. Se você receber os desafios de braços abertos, você os verá deslizando por você...
And remember, the water's always going to be cold. You might as well jump now.
E lembre-se: a água sempre estará fria. Então pule logo...
2:37 AM
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As we wade through the waters of the month of Scorpio, remember not to block anything that comes your way. If you embrace your challenges with open arms, you'll see those challenges will just slip right through.
And remember, the water's always going to be cold. You might as well jump now
1:40 AM
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27.10.07
Não sou disso, mas ele merece
Jornal O Globo
14/10/2007
Opinião
Gil, sem Jorge você talvez fosse só uma hipótese
JOÃO UBALDO RIBEIRO
Acho que tenho de dar umas explicações antes de começar, principalmente para os que não gostam muito de baianos. O que vou escrever pode parecer até uma carta e, de certa forma, é, mas uma carta de interesse público. E interesse de todo o Brasil, razão por que não merece ser tida como apenas um papo da baianada, que devia ficar circunscrito a ela, sem chatear quem não tem nada com isso. Mas podem crer que todos os brasileiros têm alguma coisa com isso, até mesmo os que não a enxerguem ou admitam. O feriado me obrigou a escrever com mais antecipação e não sei se, nos dias decorridos até hoje, o ministro Gil se manifestou sobre o problema. E, se se manifestou, não o fez através daqueles arabescos verbais abstratos e sonorosos em que adeja sua mente de artista, às vezes bonitos de ouvir, mas de árdua decifração, pelo menos para as limitações de meu entendimento. Se falou o que pelo menos eu esperava que ele falasse, tal como o resto da baianada, alvíssaras, mas, mesmo assim, o que vai dito abaixo precisa ser dito.
Lembrei de Glauber, uma vez, na casa dele, em Sintra, Portugal. Entrei e ele estava furioso com alguma coisa, nunca vou saber o quê. Me encarou carrancudo e esbravejou:
Vou telefonar para o ministro da Cultura! Ele é ministro da Cultura, eu sou cultura e ele tem que me m i n i s t e r i a r ! Nada mais lógica e claramente expresso.
E agora Gil tinha que estar ministeriando Jorge Amado, mas, que eu saiba, não está. E com isso se arrisca a entrar para a História como o ministro da Cultura em cuja gestão o insubstituível acervo de Jorge Amado foi tirado da Bahia e entregue à Universidade de Harvard. Ou seja, o Brasil não queria manter o acervo de um de seus filhos mais ilustres, um dos escritores mais importantes do mundo (sei que há quem discorda, mas para mim quem discorda é burro e, se quiser, pode dizer que o burro sou eu) e um dos vultos mais importantes de nossa História. Ele gostava muito da gente, os ³meninos² de então. Não esqueço do olhar dele, todo ancho, um sorrisão que quase lhe tomava a cara inteira, nos mirando como um patriarca orgulhoso. Não houve um de nós que ele não incentivasse, de quem não exigisse trabalho, sempre dando um jeito de botar o nome da gente em tudo quanto era entrevista que dava, sempre dando um conselho sábio. Gil deve ter muitas lembranças disso, até da casa do Rio Vermelho, hoje quase uma tapera < e foi lá, no chão de seu quintal, que Jorge quis que lhe derramassem as cinzas, como quis que seu tesouro ficasse sempre com seu povo e sua terra.
E Gil sabe também que, pouco depois de ele e eu nascermos, Jorge Amado era constituinte e, embora ateu como sempre foi, fez inserir na Constituição um dispositivo que garantia a liberdade de culto. Antes disso, a vastíssima população de origem africana da Bahia era obrigada à humilhação de ter que tirar licença na polícia para praticar suas religiões e, ainda assim, terreiros e casas de culto eram invadidos pela polícia, com destruição de casas e de objetos sagrados.
Jorge não só alterou a Constituição como foi à luta. Não foi à luta somente criando heróis e protagonistas negros, antes quase inteiramente ignorados, mas militando, com amigos também negros, pela efetiva concretização da liberdade de culto e a restauração da dignidade das religiões de origem africana. Não foi demagogia nem vontade de aparecer que fez com que o honrassem com títulos elevados no mundo do candomblé. Foi por amizade e gratidão a um permanente companheiro de luta.
Gil sabe que a principal razão por que muita gente, aqui e no exterior, quer conhecer a Bahia não é praia. Quem quiser praia, só não tem praia em Minas. Em compensação tem muito barroco e quem quer ver barroco pode se fartar em Minas. Quem quiser igreja idem. O que distingue a Bahia é sua identidade, sua fala, o jeito de seu povo, sua mística, sua sensualidade espontânea, sua mitologia. Dirá um dos sabidos que por aí abundam: se Jorge não desse esse e outros passos, outro daria. Talvez, mas acontece que foi Jorge quem deu. E foi ele também, Gil se lembra, que, junto com Érico Veríssimo, brecou a decisão do governo militar de impor censura prévia aos livros. Se fizerem isso, disseram os dois grandes homens, não escrevemos mais uma linha.
Não sei se a cegueira e a surdez seletiva do chefe de Gil são contagiosas, mas parece que ele não sabe nem viu nada. E esqueceu que, sem baianos como Jorge Amado e Dorival Caymmi, a Bahia podia perfeitamente ser mais uma cidade portuária e de negócios, com a população majoritária ressentida ou francamente revoltada e racista. De novo pode vir o blablablá de que, se não fossem eles, seriam outros. Mas, de novo, acontece que foram eles. Ou seja, sem Jorge talvez a
Bahia fosse muito diferente do que é hoje. alvez a arte não fosse a mesma, talvez Gil não tivesse régua e compasso (que podem estar precisando de manutenção, isso acontece), talvez seu talento não pudesse desabrochar, nem tivesse os ombros mais antigos em que todo talento novo se apóia.
Era capaz até de surgir um sociólogo levantando a hipótese de que, se aquela sociedade não houvesse se tornado tão materialista, mercantilista e dividida, poderiam ter surgido artistas com o perfil de Gil. Foi isso que eu quis dizer, quando afirmei que Gil (não faça isso, Gil, não seja o ministro da Cultura sob cuja gestão o Brasil efetuou uma bela troca com Harvard, ela com os 250 mil itens do acervo de Jorge e nós com Mangabeira Unger) podia hoje não passar de uma hipótese. E eu também, claro. aliás, no meu caso, nem mesmo chegar a hipótese, praticante que sou do mesmo ofício que Jorge. Mas não somos hipóteses, somos quem somos, Gil, é claro, muito mais belo e brilhoso. Só tenho a meu favor estar cumprindo minha obrigação e ele não.
2:29 PM
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23.10.07
бацк ин тхе усср
Quem anda por aqui leu a história do russo, aquele com quem eu cruzei na praia algumas vezes, e com quem jamais entabulei conversação, por motivos óbvios. Está aí nos arquivos, é só reler.
Pois pasmem, senhores! Dia desses, uns 3 meses depois do primeiro encontro, estou eu bem caminhando na beira do mar, como de costume e ouço: Oi, tudo bem?
Era um bronzeadérrimo russo, de shortinho, sem camisa, lindão, sorrindo pra mim. Aí ele disse: Vamos tomar um côca? Vamos, né? Claro! Embora eu não soubesse se era uma coca ou um côco... topei, por motivos óbvios.
Pegamos nossos cocos e sentamos na calçadinha, com os pés na areia. Todos sorrisos, eu e ele. Poucas palavras, pq as que ele aprendeu ainda não são suficientes. Mas já sei que ele é do consulado, que é campeão de luta livre e de karatê e que tem 24 anos. Pensando bem, pelo andar das informações, melhor mesmo ele não falar portuguÊs. Temo pelo teor da conversa. Trocamos telefone. O nome dele? Sultan! Sul-tan!!!! Caraca, que nome! Lembrei do meu primeiro namorado, o Sandro, que era italiano e não falava português. E eu não falava italiano. Tomávamos sorvete de mãos dadas no calçadão...
A melhor coisa do papo foi ele anotando meu nome no celular, os caracteres russos: андреа. Lindo isso...
4:58 PM
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17.10.07
Al mare
Ele me abraçou apertado e enfiou o nariz no meu cabelo, abrindo caminho até o pescoço, respirando fundo e disse:
"Vc tem cheiro de praia. O melhor cheiro que existe"
Um dos poemas mais lindos que eu já ouvi...
delícia
9:00 PM
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13.10.07
Feriado
4:05 AM
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11.10.07
O amor
Ele sempre esteve por perto, a vida toda. Sabe aquele guy next door? Me lembro de ter pensado nele muitas vezes, de ter fantasiado coisas com ele, de ter ficado encantada por ele em vários momentos da minha vida. Depois me dediquei de coração, me apaixonei, mesmo, fiquei de quatro pneus arriados, arrastando uma scania por ele. Aquelas coisas de amor de mulher. Você só quer saber dele, pensar nele, estar com ele. Agora, neste feliz momento da minha vida, tenho a impressão de que ele finalmente ouviu minha batida na sua porta e está me deixando entrar.
O nome do cara é samba, e agora que ele vem todo dia me visitar, estamos colados, coladinhos. E hj, quando o pandeiro provocou, o sete cordas aceitou e o cavaco veio junto, me convidando pra entrar, eu senti o coração bater. Daquele jeito que fazia tempo... To gamada. Roda de samba todo dia se desse, amigos do samba em alta, em todas, mundo samba, samba no pé, aula de pandeiro, samba na vitrola. Samba rules!
Estou amando, entende? E aí... well, aí o bicho vai pegar!
Só aguardar
3:39 AM
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10.10.07
uma imagem, mil palavras
3:33 PM
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